Sempre que posso assisto ao programa Bem Amigos da
SporTV, que, apesar do Galvão, é uma excelente distração para as noites de
segunda-feira. De praxe, sempre tem um ou dois convidados, o que geralmente, e dependendo
do convidado, torna a discussão bem mais interessante. Foi o caso da última
segunda, quando estava presente na bancada o genial Rivelino. O “Riva” é um
desses caras diferenciados, tanto pelo que fez no futebol, quanto pelas suas
ideias. Que jogador hoje passaria dez anos em um grande clube, sem ganhar
absolutamente nada em termos de título, e ainda ser ídolo desse clube? Só se
nascer outro Rivelino.
Mas não estou aqui hoje para biografar nada, na
verdade, só estou contando tudo isso para fazer referência a uma lamentação
feita pelo ex-jogador durante o programa. Segundo Rivelino, o futebol está
muito chato. Qualquer coisa, que no tempo dele era super normal, hoje causa
polêmicas e transtornos. Quando alguém faz um gol, não pode mais comemorar com
a torcida; tirar a camisa, é contra o pudor; levanta-la para mostrar algum
dizer, é contra a democracia; Também não se pode driblar um adversário, por que
o perna de pau se sente humilhado. É uma lista realmente kilométrica, e pelo
que se mostra, tende a crescer. Em suma, acabaram com a alegria dos estádios.
O que dizer? Levando em conta que, quem diz tais
coisas viveu o auge do futebol arte no Brasil, eu entendo o desabafo, contudo,
não posso deixar de acha-lo um tanto ingênuo. Meu caro Riva, não é o futebol
que está chato, é o mundo que está chato. O futebol é apenas uma das áreas
afetadas. Olhe a sua volta, nossa sociedade está cada dia mais nojenta e
ensimesmada, cheia de não me toques. Acredito que, autores como o Nelson
Rodrigues, e animadores como o Chacrinha, historicamente ovacionados, seriam
hoje esmagados pela opinião pública. Cruelmente perseguidos como, racistas,
homofóbicos e machistas. Por fim, morreriam de tédio.
A exceção a essa regra, seja talvez o funk carioca
que sempre diz o que pensa, ou melhor, o que vem na cabeça, mas isso, ao que
parece, tem mais haver com o dinheiro que está movimentando e com a
"proteção" vinda dos morros (se é que você me entende), do que com uma
aceitação propriamente dita. Outro dia, o Marcos Mion levou no programa dele uma
dessas bandas de funk. Eram quatro ou cindo "crianças" seminuas que cantavam
um tal de “quadradinho de oito”. Sei que, depois do deprimente show de horrores
pornofunkeiro apresentado pela trupe, não sobrou ao Marcos Mion muito mais do
que, com um sorriso de lado que por si só já disse muita coisa, dizer "fazer
o que se é isso que bomba na net" (ele disse isso ou algo parecido). Bem
Mion, não sei se bomba na net, mas sei que, se uma das “piriguetes” fosse sua
filha, talvez você soubesse o que fazer.
Mas, voltando às palavras do Rivelino, digo que,
essa impressão que ele teve, eu já tenho faz tempo. Em minha opinião, estamos
debaixo de uma verdadeira ditadura da dignidade. Tudo deve ser feito, e só será
aceito, se for um ato de dignidade. Dignidade aqui é tudo aquilo que nos faz
parecer, ou se sentir mais humanos, ou mais preocupado com o meio ambiente. Amar
as baleias, reciclar o lixo, ter fair play nos jogos de futebol, respeitar os “diferentes”,
mesmo que eles nunca te respeitem, “curtir” historinhas românticas de vampiro,
mesmo que nunca tenha ouvido falar de Anne Rice, até tolerar os bailes funk,
que prostituem livremente milhares por noite. Tudo isso está no pacotão da
sociedade da dignidade, e DEVE ser feito. Quer um slogan para essa sociedade? Pois
então tome: “O IMPORTANTE É SER FELIZ”, mesmo que essa felicidade destrua
cruelmente o outro.
Pois é meu caro Rivelino, o mundo (e o futebol)
está chato sim, mas pelo menos está mais “digno”.
William de Oliveira
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