Após a, digamos,
pitoresca invasão dos índios Kaximawá
ao plenário da câmara dos deputados, uma coisa ficou clara para mim, nós
subestimamos os índios brasileiros. Eles são tudo menos bobos. Foi-se o tempo em
que eles se vendiam em troca de espelhinhos portugueses. Na verdade, eles até continuam
querendo os “presentinhos” dos brancos, mas agora, diferente dos tempos de Pero
Vaz de Caminha, não estão mais dispostos a dar algo em troca por isso. Querem nosso direitos, mas sem os deveres e responsabilidades dos demais cidadãos
brasileiros. O que geralmente conseguem. Quem é o ingênuo agora cara pálida?
Vejam vocês, por
exemplo, a frase esclarecedora do cacique Ninawa, que, tentando justificar os
atos da sua etnia, definiu a câmara dos deputados como “a casa do povo”. Mas de que
povo meu amigo pele vermelha estava falando mesmo? Porque o povo ao qual pertenço,
paga impostos, trabalha para se sustentar, pega trem lotado e, se quiser “uma
terra” tem que pagar por ela, terra que, aliás, não é nada barata! Mas não nossos índios, esses podem continuar suas vidinhas tranquilas, caçando, dançando e fazendo filhos. Muitos filhos! Realmente nossos índios são bem melhores do que os índios dos outros.
Fica, por fim, uma
inevitável pergunta. Até quando os índios, protegidos por leis retrógadas e hipócritas,
continuaram desfrutando de privilégios desconectados do resto da população, tratados
como membros de uma cultura atemporal, que precisa ser conservada a todo custo?
Um custo altíssimo que, a propósito, vem de um dinheiro publico que eles não
ajudam a gerar. Minha sugestão é que deveríamos, como bons cristãos, confessar
nossos pecados de colonizadores, depois entrar em nossas caravelas e ir embora
daqui de uma vez por todas. Essa é única forma de reparar o erro de Cabral, devolvendo
essas terras de vera cruz aos seus legítimos donos. Eles ficaram bem sem nossos
espelhos.
Nosso Brasil é
realmente um país interessante, um tanto brega, mas interessante.
William de Oliveira
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