sexta-feira, 3 de maio de 2013

Platão e os velhos sábios

Platão, em sua monumental “A Republica”, descreve assim o prazer de ouvir as palavras de alguém mais velho:

“Nada me agrada tanto como conversar com pessoas de idade; pois as considero como viajantes que percorreram um longo caminho, o qual eu talvez tenha que percorrer também.”

Para o Platão sentar a mesa com alguém mais velho era uma dádiva, um evento que não podia ser perdido. E isso não foi privilégio só do grande filósofo. As pessoas da minha criancice, num mesmo sentimento platônico, ainda que, sem provavelmente nunca terem lido qualquer livro de Platão, diziam as mesmas coisas, ou alguém nunca ouviu quando criança que devíamos ouvir os mais velhos?

Mas os tempos mudaram. Hoje ninguém quer ouvir os mais velhos. Vivemos num mundo dominado pelo conselho juvenil. O trágico, porém, é que percebo que esse desprezo acontece, na maioria das vezes, por culpa dos próprios desprezados (sim, esse texto não é uma repreensão aos mais jovens). A verdade é que, os mais velhos de hoje não são ouvidos, simplesmente, porque não tem o que dizer. É uma geração perdida no espaço, deslocada dos rápidos avanços sociais e tecnológicos, formada, geralmente, por uma patuleia vinda dos anos setenta e oitenta, quase sempre estúpida e fútil, e que anos atrás detonou suas mentes, ou no consumo de drogas, ou nos programas de televisão, que são, obviamente, tão fúteis quanto eles.

E não é só isso, as suas atitudes costumam refletir toda essa obtusidade. Vejam vocês, por exemplo, o caso do zagueiro são paulino Lucio, que ontem, mesmo sendo o “mais velho”, jogou pela janela uma vitória praticamente garantida do time do Morumbi. Ai está à tragédia! Um jogador muito experiente, com anos de kilometragem no futebol, tanto em times europeus, como na seleção canarinha, mas que constantemente demonstra um absurdo despreparo mental e emocional. Ele briga dentro de campo, reclama publicamente do técnico, e está sempre falando o que não deve. Agora, eu pergunto, é isso o que se espera de um jogador como esse? O Lucio deveria ser o tipo de jogador que, qualquer pai de jogador juvenil, diria: meu filho ouça o Lucio, ele é mais velho e vai te ajudar. Mas não, hoje não cabe mais nenhum conselho assim. O Lúcio, infelizmente, reflete toda a enorme falta de preparo dos nossos “mais velhos”, e gente assim não dá para ouvir. Ele afundou o São Paulo no jogo contra o Atlético, e afundaria qualquer jovem que fosse pedir conselhos.

Existe um slogan muito famoso que diz que devemos preparar bem nossas crianças, porque elas serão o futuro do Brasil. Pode ser. Mas acho que a frase ficaria melhor assim: prepare as crianças de hoje porque elas serão os velhos que prepararão as crianças de amanhã. Sábios velhos, preparando futuros velhos sábios. Ai, quem sabe, nesse dia, nós veremos novamente, como nos tempos de Platão, gente se sentir privilegiada pelo simples fato de estarem ouvindo alguém mais velho.

William de Oliveira

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